|
É
rotineiro. Basta andar pela avenida Rio Branco, no Centro do Rio
de Janeiro, ou na avenida Paulista, em São Paulo, e lá
estão eles, os softwares piratas. Por R$ 10 pode-se conseguir
qualquer programa da Macromedia, como Flash, Fireworks, Dreamweaver
e FreeHand, ou até mesmo o mais recente lançamento
da Microsoft, o Windows XP.
Encontra-se de tudo sobre os plásticos azuis dos ambulantes
da Avenida Rio Branco, nas proximidades da Praça Mauá.
E se o produto desejado não está em exposição,
basta fazer uma encomenda que o "fornecedor" traz para
o cliente.
- Se a gente não tem, arranja. O tempo máximo de espera
é de uma semana. Temos de tudo. É só pedir
- orgulha-se um ambulante que preferiu não se identificar.
E nesse mercado paralelo tudo significa tudo mesmo. Há desde
os mais usados programas de editoração de texto e
imagens, como PageMaker e Photoshop, até softwares de gestão
corporativa especializados, como os produzidos pela SAP ou pela
Microsiga.
Há também uma oferta, no mínimo curiosa, de
versões antigas e atuais de um mesmo produto. O Windows Me,
por exemplo, disputa a atenção dos clientes lado a
lado com o Windows XP versão home. E os dois têm o
mesmo preço.
Os camelôs não se incomodam nem com o fato de muitos
dos softwares vendidos estarem expostos a menos de 200 metros dos
escritórios das empresas que os produzem.
- Nunca alguém de uma empresa dessas falou qualquer coisa
com a gente. Para falar a verdade, nem sabia que as empresas que
faziam os programas ficavam por perto. Também, o que elas
poderiam fazer? - questiona o ambulante.
Lei
de software
Apesar
da exposição à luz do dia de softwares piratas,
o Brasil é um dos países que possuem legislação
específica de proteção à indústria
do software, a lei de número 9609/98. De acordo com a legislação,
programas de computador estão incluídos no âmbito
dos direitos autorais. Isso faz com que seja proibido reproduzir,
copiar, alugar e utilizar de cópias de software sem a autorização
do titular dos direitos autorais.
A legislação estabelece que qualquer indivíduo
pego em ato que viole esses direitos pode sofrer ação
criminal e ação cível indenizatória.
Quem usa software pirata pode sofrer reclusão de seis meses
a dois anos e ser obrigado a pagar multas diárias enquanto
usar o software. Quem revende software ilegal está sujeito
a uma pena de reclusão que pode variar de um a quatro anos,
e a uma multa que chega a três mil vezes o valor de um software
legal.
- A lei de software no Brasil é uma das mais atualizadas,
das mais modernas. Acredito que a intenção é
das melhores e que se ela for corretamente aplicada será
muito efetiva - opina o gerente Anti-pirataria da Microsoft, Rodrigo
Munhoz.
ABES
O
ponto de vista de Munhoz é compartilhado pelo Presidente
da Associação Brasileira de Empresas de Software (ABES),
José de Miranda Dias. - Acreditamos que a lei é bem
abrangente e, pelo menos na teoria, cumpriria seu objetivo. Não
é por falta de legislação que o mercado de
softwares piratas é grande no Brasil - afirma Dias.
A ABES é uma instituição que nasceu tendo como
principal bandeira a anti-pirataria. Atualmente, a Associação
mantém uma campanha nacional educativa e de esclarecimento
sobre conseqüências e malefícios da manutenção
de um software pirata.
José Miranda Dias acredita que a atuação da
ABES reduziu os números da pirataria no Brasil. Segundo ele,
no fim da década de 80, quando a ABES foi criada, o Brasil
tinha um índice de pirataria de software que beirava os 90%.
Ao longo de pouco mais de dez anos, a taxa de software pirata em
circulação no País caiu para 58%, mas mesmo
assim o Brasil ainda está muito longe da média mundial
de pirataria.
- Nosso trabalho, tanto junto aos pequenos consumidores quanto às
corporações, tem provocado o efeito pelo qual lutamos.
Mas o Brasil ainda está muito longe da média mundial,
que é de 35%, e da média do mercado norte-americano,
mercado onde rodam menos softwares pirateados, que é de 25%
- lamenta Dias.
Telepirata
Para
combater a pirataria, a Associação Brasileira de Empresas
de Software criou um serviço que ajuda na caça ao
programa ilegal: o Telepirata. Ligando para o telefone 0800 - 110039,
qualquer pessoa pode fazer uma denúncia junto à ABES
sobre a utilização ilegal de software.
A ABES se encarrega de repassar a denúncia para as empresas
produtoras de software, mantendo o nome do denunciante em segredo.
Depois de uma investigação rigorosa, elas acionam
o poder público.
Em 2001, o Telepirata recebeu mais de 16 mil ligações
durante 45 dias de campanha, 400 ações de busca e
quase 180 apreensões foram feitas pelos fabricantes de software
a partir dessas denúncias.
Segundo uma pesquisa realizada pela PriceWaterhouseCoopers, o Brasil
perde por ano R$ 915 milhões em virtude da pirataria de software.
De acordo com o estudo, se o índice de pirataria no Brasil
fosse reduzido ao patamar de 25%, as contribuições
fiscais sobre a venda lícita de software subiriam de R$ 1,55
bilhão para R$ 3,90 bilhões e as vagas de emprego,
na indústria de software, subiriam de aproximadamente 71,5
mil para cerca de 107,3 mil, gerando um aumento de quase 36 mil
postos de trabalho.
|
|