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O
desenvolvimento e incentivo para o crescimento do software nacional
é uma das mais importantes políticas para o desenvolvimento
do nosso País. Porém, isto infelizmente tem sido percebido
por poucos, levando o país a um atraso tecnológico
muito grande em relação a muitos outros países
do mundo.
Quando criado em 1993, o Softex (Programa Brasileiro para Exportação
de Softwares) tinha como meta atingirmos uma exportação
1% do mercado mundial no ano 2.000. Estaríamos então
exportando algo em torno de 2 bilhões dólares em softwares
e serviços em informática. Entretanto, exportamos
em 2000 algo em torno de US$ 100 milhões e o pior, nossa
balança comercial no setor possui um déficit próximo
a US$ 1 bilhão. Para se ter uma referência, a Índia,
que deu mais atenção a este setor, exportou em 1999
cerca de US$ 2,7 bilhões.
Em parte, a culpa está na falta de incentivos fiscais e na
falta de financiamento adequado para o setor por parte do governo.
Os incentivos tem sido dados de forma desorganizada por algumas
prefeituras e alguns estados ao redor do País, gerando mais
uma guerra fiscal entre os municípios do que uma solução
para o problema. Falta uma ação coordenada por parte
do Governo Federal. Os financiamentos no setor também deixam
a desejar. Os que existem, por parte do BNDES, Prosoft e outros,
geralmente emprestam e investem em empresas de softwares nacionais
de médio e grande porte, exigindo garantias e que também
não resolvem o problema. Vale lembrar que das 2.500 empresas
de software do País, 73% são micro e pequenas empresas.
O governo ainda se preocupa mais com produtos e empresas da velha
economia, como o setor siderúrgico e agrícola. Contudo,
com a economia cada vez mais globalizada, o setor de tecnologia,
principalmente o de softwares, vem crescendo em um ritmo acelerado.
Mas não podemos crucificar apenas o governo pela situação
atual. O problema também está na falta de cultura
do usuário brasileiro. Apesar de existirem diversos softwares
nacionais, sejam eles aplicativos ou utilitários, o usuário
nacional utiliza muito mais os softwares estrangeiros, que invadem
nosso País, levando nossos recursos. Além de similares
nacionais, possuímos no País muitos softwares que
são superiores em qualidade técnica e visual, além
de preço mais acessível, mas que não possui
tantos adeptos entre os nossos usuários quantos os famosos
similares estrangeiros.
O setor de softwares é a essência dos produtos da nova
economia, e isso é a principal importância em investirmos
na pesquisa e no desenvolvimento de projetos e principalmente de
pessoal qualificado. O software hoje está presente no celular,
no microondas, na mídia, na Internet e principalmente na
indústria. Por trás de quase todas as máquinas
modernas de nossa indústria está a presença
de softwares que controlam todas as etapas da produção.
O software produz grandes impactos na melhoria da qualidade e de
processo em todos os demais ramos da economia.
Apesar de tudo isto, a indústria de softwares nacional tem
muito futuro. Por parte do governo, a conscientização
vem aos poucos crescendo, mesmo que lentamente. O crescente déficit
na balança comercial de software anda preocupando em muito
a equipe econômica. Para se ter uma idéia, apenas uma
cópia do Microsoft Office 2000 equivale a cerca de 50 sacas
de 60 Kg de soja. É inevitável a pesquisa e o desenvolvimento
de softwares nacionais para uma forte balança comercial no
futuro não muito distante.
De
nossa parte, o dever de casa também deve ser cumprido. Utilize
softwares nacionais. Divulgue e recomende para os amigos, colegas
de trabalho ou até mesmo na Internet. Verifique se no seu
trabalho existem softwares nacionais e debata sobre o assunto com
sua equipe. Isto sem dúvida é fundamental para o desenvolvimento
do País, garantindo a nós um futuro mais promissor.
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